quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Quando nada fica... Fica o nada...


Saia. Vá embora. Corra para longe. Abandona o que semeou. Não colha os frutos nem receba os louros. Corra. Fuja. Desespera a alma. Destempera a cama. Atropela a calma. Desconheça o final. Siga com suas crenças e sem crença nenhuma. Acredita no que nem você mesmo acredita se isso te faz bem. 
Saia. Corra. Vá embora agora porque a fuga é a única saída quando não há mais saída alguma. A porta dos fundos. O corredor sem luz. A escuridão da falta do sentir. A ausência de tudo. A presença do nada.
Acredita no que não convence. Convença quem não acredita. Talvez a morte seja a lama. Talvez a dor fique na cama. Aconchegada entre os lençóis sujos que ficaram depois da noite sangrenta.
Saia. Corra. Apavora as almas escondidas nos recantos da casa. Fecha as janelas e os olhos para a verdade crua. Não olha para trás. Não veja o que fica. Insegurança pouca é bobagem. Insegurança muita é perdição.
Fuja pelo quintal do sofrimento. Navega em minhas lágrimas que inundam os dias que se seguem. Talvez o barco de minha dor te leve para a paz que não soube encontrar aqui. Talvez nem haja paz após a tormenta. Talvez a paz apenas te atormente. Talvez nada fique. E nem é para ficar já que você se vai.

Danielle Sgorlon


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