Talvez seja um desejo
louco de me prender ao que não me prende.
Amarrar-me com fita
bonita ao que não me amarra.
É uma combinação
intensa de vontades e desejos. De ser e existir em mim, em você, em nós.
Aquele desejo
incessante de nos combinar e formar a química perfeita. Mas talvez não haja uma
ligação que nos una e sejamos somente dois elementos incombináveis nesse
extenso universo tão cheio de combinações [des]combinações.
Os dias passam e o
passado fica mais cada vez mais passado. Como se não houvesse nenhuma ligação
dele com o que está por vir. Como se, no futuro, ou mesmo agora, no presente,
não houvesse chances para que nossas vidas construam mais passado juntas. E
quanto mais penso nisso, mais perdida fico em minhas vontades e desejos. Em
minhas intensidades e desassossegos.
Porque, em minha
intensa vontade de ser sua, talvez tenha me esquecido de observar seus olhos
com mais atenção. E, talvez, só talvez, eles já estivessem olhando em outra
direção que não na direção dos meus passos, dos meus sonhos, dos meus desejos
que te acolhiam sem cessar.
E o destino,
trabalhando sem parar, nos desatou e nos colocou assim. Peças gêmeas de um
quebra cabeças que não se encaixam exatamente porque são gêmeas, idênticas e
devem estar em jogos diferentes.
Mas e aí? Como ficam
os laços de fita bonita que nos prendem?
Como ficam os nós dos
meus cabelos que você não mais desata?
Como fica a renda dos
meus dias sem o seu bordado?
Como fica a minha
vida sem a tua e a tua sem a minha?
Como ficaremos assim,
perdidos, nesse mundo que não nos absorve e que nos aconchegou tão bem por um
presente que virou passado e que não permite futuro?
Como fica?
Danielle Sgorlon
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