sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Como fica... Se é que fica...

Talvez seja o destino a nos atar... Talvez a nos desatar.
Talvez seja um desejo louco de me prender ao que não me prende.
Amarrar-me com fita bonita ao que não me amarra.
É uma combinação intensa de vontades e desejos. De ser e existir em mim, em você, em nós.
Aquele desejo incessante de nos combinar e formar a química perfeita. Mas talvez não haja uma ligação que nos una e sejamos somente dois elementos incombináveis nesse extenso universo tão cheio de combinações [des]combinações.
Os dias passam e o passado fica mais cada vez mais passado. Como se não houvesse nenhuma ligação dele com o que está por vir. Como se, no futuro, ou mesmo agora, no presente, não houvesse chances para que nossas vidas construam mais passado juntas. E quanto mais penso nisso, mais perdida fico em minhas vontades e desejos. Em minhas intensidades e desassossegos.
Porque, em minha intensa vontade de ser sua, talvez tenha me esquecido de observar seus olhos com mais atenção. E, talvez, só talvez, eles já estivessem olhando em outra direção que não na direção dos meus passos, dos meus sonhos, dos meus desejos que te acolhiam sem cessar.
E o destino, trabalhando sem parar, nos desatou e nos colocou assim. Peças gêmeas de um quebra cabeças que não se encaixam exatamente porque são gêmeas, idênticas e devem estar em jogos diferentes.
Mas e aí? Como ficam os laços de fita bonita que nos prendem?
Como ficam os nós dos meus cabelos que você não mais desata?
Como fica a renda dos meus dias sem o seu bordado?
Como fica a minha vida sem a tua e a tua sem a minha?
Como ficaremos assim, perdidos, nesse mundo que não nos absorve e que nos aconchegou tão bem por um presente que virou passado e que não permite futuro?
Como fica?

Danielle Sgorlon

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